A pergunta parece boba até o dia em que você quer trocar de fornecedor e descobre que não consegue. O domínio está no CPF de um ex-estagiário, o código está em um servidor que você não acessa e o Google Analytics pertence a uma conta de e-mail que ninguém lembra a senha.
Nada disso é raro. É o resultado natural de um projeto feito sem ninguém perguntar quem fica com o que. Este artigo mostra como verificar e como corrigir.
O domínio precisa estar no seu CNPJ (e como conferir no Registro.br)
O domínio é o ativo mais importante do conjunto. Perder o código do o trabalho de refazer. Perder o domínio significa perder o endereço que está nos cartões, nos anúncios, nos e-mails e nos links que apontam para você.
No Brasil, domínios .com.br são registrados no Registro.br, que exige CPF ou CNPJ do titular. Esse titular é o dono legal, independentemente de quem pagou.
Como conferir em dois minutos:
- Acesse o site do Registro.br e use a consulta de domínios (WHOIS).
- Digite o seu domínio sem www.
- Olhe o campo de titular e o documento associado. Se não for o seu CNPJ ou o seu CPF, o domínio não é seu.
- Confira também a data de expiração e os servidores DNS listados.
Para domínios .com e outros genéricos, a consulta é feita no site do registrador contratado. Muitos exibem dados ocultos por privacidade, então a verificação real é entrar no painel do registrador com a sua própria conta.
Se o domínio não está no seu nome: peça a transferência de titularidade. No Registro.br isso é feito por procedimento formal entre as contas. Faça isso enquanto a relação com o fornecedor está boa, nunca no meio de um conflito.
E ative a renovação automática. Domínio que expira sai do ar, entra em período de resgate com taxa e, em alguns casos, é registrado por terceiros.
O código-fonte: o que o contrato precisa dizer
Pela lógica de direito autoral, quem escreve o código detém direitos sobre ele. Pagar pelo desenvolvimento não transfere esses direitos automaticamente: a transferência precisa estar escrita.
Uma cláusula suficiente cobre quatro pontos:
- Cessão. O fornecedor cede ao contratante os direitos patrimoniais sobre o código e o design produzidos sob medida, após a quitação integral.
- Entrega. O fornecedor entrega o código-fonte completo, o banco de dados e as instruções de instalação, em prazo definido, ao fim do projeto ou do contrato.
- Componentes de terceiros. Bibliotecas de código aberto, temas, plugins e fontes continuam com suas próprias licenças. O contrato deve listar o que é licenciado e o que é sob medida, para você saber o que pode alterar e redistribuir.
- Conteúdo. Textos, fotos e vídeos que você forneceu continuam seus. Textos escritos pela agência devem ser cedidos junto com o código.
Existe um meio-termo comum e aceitável: a agência mantém a propriedade de componentes internos reutilizáveis, mas concede a você uma licença perpétua e irrevogável de uso e modificação naquele site. Isso é razoável. O que não é razoável é você não poder mexer no próprio site sem autorização.
Se a proposta que você recebeu não trata disso, o artigo como avaliar uma proposta de criação de site mostra como cobrar.
Hospedagem e o direito de portabilidade
Hospedagem contratada pela agência é comum e prática. Só vira problema quando não existe caminho de saída.
Você precisa de três garantias, de preferência no contrato:
- Acesso. Um usuário administrativo em seu nome no painel de hospedagem, ou pelo menos o direito de solicitar acesso a qualquer momento.
- Exportação. Direito de receber arquivos e dump do banco de dados dentro de um prazo definido, em formato aberto.
- Continuidade em caso de encerramento. Um período mínimo em que o site continua no ar após o aviso de rescisão, para dar tempo de migrar.
Se você está escolhendo ambiente agora, o comparativo em hospedagem compartilhada, VPS e cloud ajuda a decidir. E, independentemente de onde o site esteja, mantenha uma cópia sob seu controle: é o assunto de backup e continuidade.
Contas de terceiros no seu nome
Essa é a parte mais esquecida. O site pode ser 100% seu e, ainda assim, todo o histórico de dados ficar com outra pessoa.
| Conta | O que você perde se não for sua | Como resolver |
|---|---|---|
| Google Analytics | Todo o histórico de visitas e conversões | Crie a propriedade com um e-mail corporativo e adicione a agência como administradora |
| Google Search Console | Dados de busca, indexação e alertas de penalidade | Verifique a propriedade pelo DNS do domínio, que só você controla |
| Perfil da Empresa no Google | Avaliações, fotos e o cartão que aparece na busca local | Reivindique a propriedade principal com conta da empresa |
| Meta Business | Página, pixel, histórico de anúncios e públicos | Crie o Business Manager da empresa e conceda parceria à agência |
| Registrador de domínio | O endereço do site | Conta em nome da empresa, com e-mail corporativo |
| Ferramenta de e-mail marketing | A lista de contatos, que é patrimônio seu | Conta própria, exportação periódica da base |
A regra é simples: a empresa é sempre proprietária, o fornecedor é sempre convidado. O contrário funciona bem até parar de funcionar. Se você ainda vai configurar a medição, comece pelo artigo sobre métricas que importam no GA4.
Um detalhe prático: use um e-mail do próprio domínio para essas contas, algo como digital@suaempresa.com.br, com acesso compartilhado interno. E-mail pessoal de funcionário cria o mesmo problema em outra roupagem.
O que acontece quando você troca de fornecedor
Se as três frentes acima estão resolvidas, a troca é um processo administrativo de alguns dias:
- Você avisa a rescisão no prazo previsto e solicita por escrito arquivos, banco de dados e documentação.
- Adiciona o novo fornecedor como administrador nas contas que já são suas.
- O novo fornecedor sobe o site em outro ambiente e testa com o domínio ainda apontando para o antigo.
- Você altera o DNS no seu próprio painel. A propagação leva de minutos a algumas horas.
- Depois de confirmar que tudo funciona, encerra o contrato anterior.
Se as frentes não estão resolvidas, a mesma troca pode virar refazer o site do zero. E, quando o site é refeito, o cuidado com URLs e redirecionamentos passa a ser crítico: siga o roteiro de redesign sem perder SEO.
Checklist de propriedade em 10 itens
- O domínio está registrado no CNPJ da empresa, verificado no WHOIS.
- A renovação automática do domínio está ativa e o cartão é da empresa.
- O e-mail de contato do domínio é corporativo e alguém interno lê.
- Você consegue entrar sozinho no painel do registrador.
- Existe cláusula escrita de cessão de direitos sobre código e design.
- Você tem uma cópia do código-fonte e do banco fora do servidor do fornecedor.
- O contrato prevê prazo de entrega de arquivos em caso de rescisão.
- Analytics, Search Console e Perfil da Empresa estão em contas da empresa.
- O pixel e a página no Meta Business pertencem à empresa.
- Todas as senhas críticas estão em um gerenciador acessível a mais de uma pessoa.
Dez itens, uma tarde de trabalho. É a diferença entre ter um site e alugar um.
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